20/12/2008

SERENIDADE

Na Free Way a 100 km/hora... um pouco mais talvez...
Viagem tranquila! Ar condicionado gelado.
Lá fora 35ºC. Asfalto queimando.
Carros, caminhões passando.
Tudo bem até então, não fosse o vovô reclamar do vidro fechado:
- "Vou abrir a janela! O ar aqui tá viciado..."
Surpresa e sem saber o que dizer, retruquei:
- Não! Não! Lá fora está abafado, é melhor deixar o vidro fechado, repliquei.
Ele Continua:
- "Huumm! No meu tempo não tinha essa frescura..."
- "Claro! O fusca velho nem rádio tinha muito menos ar condicionado"! Murmura o piá desavergonhado...
Sem ouvir direito, ele vira a cabeça para trás. Pergunta no ar: - "O que foi? Tô meio surdo"!
Insiste:
- "Eu prefiro o vento natural! Vou abrir..."
E abriu!
Vento quente, olhos quase se fechando, calor sufocante! Cabelos esvoaçantes...
Caminhão passando, fumaça entrando
Cheiro de óleo queimado, todo mundo agitado
- "Fecha o vidro... liga o ar...não dá pra aguentar..."
De repente:
"Diminuir velocidade, transito interrompido."
Caminhão ao nosso lado em marcha lenta...
Shuszzzzzuaps ... fumaça preta no asfalto espalhada
E no banco de trás:
- "fecha, fecha!! Que cheiro ruim!! Ta horrível vô! Não dá pra suportar..."
Me senti de mãos atadas sem poder fazer nada.
Respeito: idade experiencia.
Sorte lançada:
- O vô vai dar uma colher de chá e a janela vai fechar...
Ufa! Funcionou.

Aproveite cada momento...
Respeite. Reflita:
As pessoas têm algo em comum, todas são diferentes.

ESPERANÇA

Criança nenhuma deveria sentir fome sem ter o que comer.
Criança nenhuma deveria sentir vontade de brincar sem ter espaço pra correr.
Criança nenhuma deveria sentir vontade de abraço sem ter quem abraçar.
Criança nenhuma deveria chorar sem ter um olhar para compreender.
Criança nenhuma deveria querer carinho sem ter um colo pra deitar.
Criança nenhuma deveria querer aprender sem ter escola pra ensinar.
Ame. Respeite. Eduque.
E o sol brilhará para todos।


Em nossa ação social com crianças carentes da vila, muitas vezes trabalhamos filmes que mostram valores importantes para a formação das crianças, tais como: respeito,dignidade, integridade, solidariedade, compartilhar, perseverança entre outros। Ao termino do filme as crianças descrevem o que aprenderam através de desenhos, alguns escrevem alem de desenhar। Um dia desses, apresentamos “Os sem floresta”. Diz respeito a alguns animais fugindo da floresta em chamas. Andam até chegar a uma rodovia. Ali encontram algumas latas com lixo. Resolvem abrir as latas a procura de alimento, mas só encontram lixo... Seguem em frente e chegam a uma cidade. Tentam de todas as formas encontra alimento... Porem, inexperientes, não conseguem nada. Então se reúnem e decidem invadir uma casa para roubar comida e se fartam... Finalmente eles se reúnem novamente, reconhecem que não é correto roubar e decidem voltar para a floresta, ou para o que restou dela... Empolgadas as crianças desenham o que mais lhe chamou atenção. É incrível a maneira como cada uma se expressa; elas são fantásticas. Uma delas desenhou um coração e dentro dele escreveu: “Roubar é feio, mas as vezes é necessário para nossa sobrevivência”. Escrevo isso porque fiquei emocionada com essa colocação...




10/12/2008

Desperdício

A maluca da madrugada
Passa a noite conectada
Jogando sonho fora
Pensando encontrar escalada
Só engano...
Mente vazia, alma fria;
Olhos cansados;
Unhas mastigadas;
Cara amassada.
Sonolenta reclama do barulho no outro dia...
Não vê mais o sol nascer
Nem a beleza do amanhecer
Ignora o despertar da natureza...
Não senta mais pra conversar.
Prefere reclamar
Faz da vida uma jogada
Se perder não dá em nada...
POREM... Tudo é aprendizado!
Basta refletir, reconhecer e crescer...

05/12/2008

CULTURA

Momento Manguaça...

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o
caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo.
Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.
Porém, um dia cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou.
O que fazer agora?
A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor.
No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado.
Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e
levaram os dois ao fogo.
Resultado: o azedo do melado antigo era álcool que aos poucos foi
evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam
constantemente.
Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome Pinga.
Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos
feitores ardia muito, por isso deram o nome de água ardente.
Caindo em seus rostos escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar.
E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.

(História contada no Museu do Homem do Nordeste).